mais um


Foi um rio que passou em minha vida...

Resolvi voltar!
Ouvir os comentários das meninas sobre o blog do Lucas me deu ânimo, mas as idéias, o desejo, já existiam antes.
O desenrolar das histórias, as conversas no MSN e a barra e chocolate de marzipam foram o fogo, e o Chico, o Caetano e o Paulinho foram a água que cozinharam dentro e mim essas idéias até o ponto de ferver.
A tosse que não me deixou dormir a noite toda tornou-se insuportável. Então veio um estalo: eu não estou doente! Eu precisava lavar todas as minhas roupas. Jogar tudo na máquina. Não importa se vou ter onde secar depois, isso não pode continuar assim! Algo neste quarto está me deixando doente. Eu tenho que lavar tudo. Começar de novo. Arrombar essa janela e deixar o ar entrar mais uma vez.
Afinal, é disso que se trata. De começar de novo. Mais um. Foi como eu chamei meu blog da última vez. Então mãos à obra. A história se repete. Eu estou sozinho de novo, eu fecho meus olhos e vejo tudo o que posso aprender. Me sinto a beira de um mar de possibilidades. Tudo é tão novo, e meu coração cresce. Ao mesmo tempo que sou tão pequeno diante desse todo, me sinto como personagem principal e uma história. Minha história. Me sinto vivendo e revivendo anos incríveis.


Outrora escutei os anjos, as sonatas, os poemas, as confissões patéticas...

Sob o céu de Tübingen, entre os anjos e os homens, passou uma história, incompreensível para uns, despercebida para outros, de traição.
Foi numa noite regada por vinho que me veio, com um um soluço, uma idéia, e, sem perceber o que fazia, a vontade que contradizia a minha própria pessoa, de ficar. Foi nesse instante, como só agora há pouco pude vir a perceber, que traí a cidade, que sempre me confortou com seus cantos noturnos e sua alegria, e que sempre disse amar. Mas mais do que a cidade eu trai a mim mesmo e a minha idéia. Naquele instante eu pensei em largar o movimento, a agitação, a boemia... pra ficar... mas o que vem depois?
Não pensei nisso. Como disse, foi um instante, e sem reflexão.
Mais tarde, na mesma noite, enquanto voltava para casa, cheguei a pensar, ao passar por aquele mesmo lugar que achei uma vez, alguma coisa me fazer acontecer no coração, que eu estive, a minha vida toda, errado. Eu pensei que talvez tudo estivesse mudado. Mas no dia seguinte, ao passar mais uma vez pelo mesmo lugar, nada aconteceu. Talvez tenha sido a lua. São tantas as coisas, que faz a lua, mais bonitas, que quem sabe nessa terra, onde o Sol se põe tão cedo, dizer o que é verdadeiro e o que é ilusão? Talvez seja por isso que, aquela noite, a qual São Paulo nem chegaste a perceber, ainda às vezes, me volta à lembrança.

"meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos."



Escrito por Flávio às 20h37
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